Brasília - O PSB abandonou o Governo Dilma. Entregou seus cargos, que
incluem o Ministério da Integração Nacional e a Secretaria dos Portos,
além de diretorias na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São
Francisco e do Parnaíba (Codevasf), e as presidências da
Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e da
Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).
A candidatura
de Campos é um assunto, segundo ele mesmo gosta de dizer, que só deve
ser discutido no ano que vem. Como se vê, 2014 já começou para Campos
faz tempo e só ele ainda não percebeu.
O que pretende o PSB? O
plano A é o seguinte: o partido sai do governo DIlma, deixa sua bancada
livre para atirar no Congresso, parte em busca de apoios a torto, a
direito e à direita nos estados, lança seu candidato, vai para o segundo
turno e se conforma como a candidatura anti-Dilma e anti-PT, com o
apoio de Marina, Aécio e outros (Serra, por exemplo?). Caso isso não
aconteça, entra em ação o plano B: Campos tenta pelo menos uma votação
superior a 10%, ajuda a provocar um segundo turno, analisa as chances de
cada candidatura, negocia seu apoio em troca de um bom peso no futuro
governo e se prepara para 2018.
As dificuldades que terá no
caminho são muitas. Ter mais que 10% em uma eleição presidencial não é
trivial. Superar Dilma, mesmo no Nordeste, com Lula no palanque
adversário, é tarefa árdua e inglória. Sua base de candidatos pode
cristianizá-lo já no primeiro turno. Havendo segundo turno, nada garante
que seus votos de primeiro turno migrem para seu candidato
preferencial.
Para Campos, se houver um segundo turno e ele
estiver de fora, o melhor candidato para a sua escolha será aquele que
estiver na frente, seja ele quem for. Por isso ele guarda certa
distância, mas mantém relações minimamente cordiais com todos: Dilma,
Aécio e Marina. Qualquer um dos três pode ganhar seu apoio.
Sua
disputa é em dois tempos. Até julho do ano que vem, sua adversária
preferencial é Dilma. Ele precisa bater em Dilma para ajudar a provocar
um segundo turno. Essa é sua preliminar. Para tanto, precisa puxar os
votos dos insatisfeitos com os governos do PT, todos eles. De julho em
diante, precisará escolher em quem bater, entre Aécio e Marina, para
subir acima dos 10%. Terá que jogar um desses dois para baixo.
Invertendo o foco de seus ataques, pode se reposicionar para aliar-se
novamente a Dilma em um eventual segundo turno e entrar, em seu possível
segundo mandato, pisando sobre o tapete vermelho.
Enquanto isso,
precisa rapidamente montar palanques em todos os estados. Aí, a busca
por insatisfeitos se aproveita de rachas regionais na oposição. Campos
foi a Santa Catarina porque ouviu que Jorge Borhnausen e seu filho, o
deputado federal Paulo Bornhausen, estavam insatisfeitos com os rumos do
governo de Raimundo Colombo. O velho patriarca dos Bornhausen, que
presidiu o PFL e depois o DEM, ajudou a fundar o atual PSD. Mas, quando o
PSD nacional se aproximou do governo Dilma, os Bornhausen se
aproximaram de Campos. O namoro terminou em casamento, no final de
agosto, com a filiação de Paulo Bornhausen.
Em Goiás, o DEM,
chefiado pelo ruralista Ronaldo Caiado e rachado com o PSDB, já
sinalizou apoio a Campos. A tendência do PSB é exatamente essa. Onde
houver insatisfeitos, o partido levará seu ombro amigo e uma ficha de
filiação ou uma proposta de coligação.
A partir de agora, começa,
em todo o país, uma espécie de efeito dominó da decisão nacional do PSB
de abandonar governos do PT. Os diretórios irão reavaliar sua
participação nesses governos e buscar uma recomposição de forças
estaduais com vistas às eleições de 2014. Devem partir também para cima
de setores desgarrados do PMDB.
O líder do partido no Congresso,
deputado Beto Albuquerque, recomendou que o PT faça o mesmo: desocupe
os cargos nos governos do PSB. Até porque eles agora precisam de vagas
para alojar seu dirigentes que sairão do Governo Federal.
Aliado
histórico do PT na maioria das eleições presidenciais e em vários
governos estaduais, o PSB pela segunda vez alça voo solo (a primeira foi
em 2002, com Anthony Garotinho). Se Campos pode se tornar um problema
para Dilma, arrisca a ser um pesadelo para Aécio e o PSDB. Tende a
roubar votos preciosos dos tucanos entre o eleitorado que rejeita o PT. E
pode garfar o apoio de uma parcela importante do empresariado,
desfalcando o caixa da campanha de Aécio. São dois ingredientes que,
para o PSDB, podem significar um caixão e uma vela preta.
*Antonio Lassance é doutor em ciência política pela UnB.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
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