quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O tiro no pé das entidades médicas

o blog do site Outras Palavras em CartaCapital. Aqui você vê o site completo]
As entidades que em teoria representam a classe médica deram um tiro no pé. Ao se oporem ao programa “Mais Médicos”, tudo o que conseguiram foi fortalecer a imagem de elitistas e corporativistas que vem nutrindo ao longo das últimas décadas.
Nem sempre foi assim. Há não muito tempo atrás a medicina era vista como um dom, um sacerdócio. O médico era como o padre, sabia da vida das famílias que assistia – suas angústias, aflições. Era, além de cuidador, conselheiro. Mas o perfil do cuidado em saúde mudou. A tecnologia trouxe avanços de forma muito rápida e talvez o médico não tenha sabido conciliar os novos conhecimentos com a antiga e preciosa escuta do doente. Além disso, o acesso à saúde ampliou-se bem mais que a quantidade de médicos formados, de maneira que os que estavam no mercado precisaram captar os novos pacientes, em detrimento do tempo de atenção a cada um.
Hoje, temos muitas escolas médicas no País, com estudantes que buscam status e enriquecimento, mas também que buscam salvar vidas, cuidar de pessoas, independentemente de cor, credo ou classe social. Há ainda aqueles que buscam um sistema de saúde melhor e mais justo para o Brasil. Entram na faculdade entre seus 17 e 20 anos, vindos de famílias mais abastadas, de escolas particulares, tendo tido até então pouco ou nenhum contato com a pobreza, exceto aqueles provocados pela violência ou pelos funcionários mais pobres da família. A faculdade precisaria fazer com que estes futuros médicos abram seus olhos para esta nova realidade que se apresenta.
O fato é que existe muito preconceito dentro da classe médica com o trabalho na atenção básica. O “médico do postinho” é visto como alguém inferior, que não teve sucesso em escolher uma especialidade. As residências de Saúde Coletiva, Medicina Preventiva ou Saúde da Família são menos procuradas. Todos aspiram a ser Ivo Pitangui, quase ninguém a ser Osvaldo Cruz. Quando se fala em ir para o interior ou trabalhar nos Centros de Saúde da periferia, sempre dizem que não há estrutura e condições de trabalho – o que é bem verdade, mas talvez não seja o motivo real da recusa.
Tudo isso ficou muito claro no debate acerca do Programa Mais Médicos do governo federal. As entidades erraram, ao não mostrar à população que algumas alternativas já vinham sendo debatidas. Desde 2009, por exemplo, tramita no Legislativo a Proposta de Emenda Constitucional 454, cujo objetivo é instituir a Carreira de Estado para médicos. Quatro anos depois, a PEC segue sob análise de uma comissão especial. endo aprovada. A que aprovada, tramitará por tempo indefinido até apreciação do plenário das duas casas do Legislativo.
A exemplo do que ocorre no Poder Judiciário, não faltariam profissionais mesmo nos locais mais remotos do país – caso houvesse uma carreira. Porém, ao invés de chamar atenção para este aspecto, as entidades médicas focaram na recusa, não nas alternativas. Não mostraram à população o desejo real, de muitos médicos brasileiros, de ir para estas unidades de saúde; mas, sim, o o desejo de bloquear a vinda de estrangeiros. Demonstraram, em sua luta, mais medo de perder status e nível salarial do que de deixar a população desassistida, permitindo que o governo colocasse nos médicos a responsabilidade pela má qualidade da saúde pública.

Talvez as entidades médicas representaram bem a classe médica. Infelizmente, porém, existem profissionais que se viram abandonados pelos que deveriam representá-los – aqueles comprometidos com o SUS, que estão na luta por menos desigualdade social, por mais acesso aos serviços públicos, por mais qualidade destes serviços. Mais comprometidos que o próprio governo, que parece rejeitar a proposta de iniciativa popular que visa destinar 10% da receita bruta da União para a saúde. Ao se dirigir ao Congresso na última quarta-feira, 18/09/2013, a ministra Miriam Belchior afirmou não ser possível destinar essa fatia para o financiamento da saúde, ainda que especialistas tenham estudado previamente a proposta e que outros países destinem uma parte ainda maior de seu PIB.
Enquanto isso, as entidades médicas não tomam posição ao lado do governo ou ao lado da população. São uma terceira categoria, cada vez mais isolada. Como apontou a colunista Cláudia Colluci, em recente texto para a Folha de São Paulo, os médicos precisam se colocar “na pele de quem vive nos rincões sem assistência médica” e provavelmente este é um exercício muito difícil para jovens da classe média alta brasileira – certamente bem mais do que o das provas de vestibular.
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* Lilian Terra é médica formada pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atua na atenção básica do SUS de Campinas- SP, onde faz parte de uma equipe de saúde da família (PSF). É apaixonada pelo projeto do SUS e pela saúde pública e espera que um dia o sistema de saúde brasileiro seja de fato universal e não haja necessidade de se recorrer a Planos de Saúde ou serviços privados.

Um dia após ser detido, Batman volta às ruas para apoiar professores no RJ





Fantasiados homem posam para foto juntos durante protesto de professores da rede municipal em frente a Câmara  (Foto: Domingos Peixoto / Agência o Globo)Menos de 24 horas após ser detido em manifestação no Rio, um homem vestido de Batman voltou às ruas do Rio. Eron Moraes de Melo, de 32 anos, compareceu, na manhã desta quinta-feira (26), ao protesto dos professores da rede pública de ensino do Rio na Cinelândia, no Centro do Rio. Desta vez, ele foi acompanhado de mais dois "personagens", Saci-Pererê e Jack Sparrow.


"Sou um mascarado do bem. O povo tem que vir para a rua e lutar pelos seus direitos. Não podemos ser lesados pelos governantes e precisamos mudar o que não está bonito no nosso país. Já participei de 10 manifestações e vou garantir a minha presença em quantas mais forem necessárias", declarou o "homem-morcego", que quando não está com a capa preta, trabalha como protético.
Fazer protesto em Facebook e Twitter é que nem ser rico no banco imobiliário"
Eron Moraes, o 'Batman'
Durante um ato nacional pela liberdade dos presos políticos e contra o terrorismo de estado em frente à sede do Ministério Público, na quarta-feira (25), Eron chegou a ser detido pela polícia após se negar a retirar a máscara.

"Eu já fui preparado. Não podem proibir as máscaras. Estou aqui para combater a corrupção, a injustiça e tudo que houver de errado no nosso país. Vamos lutar pela educação, saúde e por uma política mais limpa. Vamos em frente”, disse o Batman, que se veste como o "homem morcego" desde o dia 20 de julho.

Eron já imaginava a repercussão que sair vestido de super-herói nas ruas causaria. Segundo ele, tudo foi planejado.

"Um indivíduo fantasiado de Batman vai chamar atenção querendo ou não. Se eu fosse como Eron para as ruas eu seria apenas mais um. Chama atenção mesmo, e é para chamar. A mensagem é: vamos lutar contra a corrupção. Fazer protesto em Facebook e Twitter é que nem ser rico no banco imobiliário", concluiu.

Ibope: hoje Dilma seria eleita no primeiro turno

Uma pesquisa realizada pelo Ibope e pelo jornal O Estado de S.Paulo indica que, no cenário mais provável das eleições presidenciais de 2014, a presidenta Dilma Rousseff seria reeleita em primeiro turno. De acordo com o levantamento, Dilma tem hoje uma intenção de voto superior à soma das intenções de seus três adversários.
Segundo os números, Dilma passou de 30% de intenções de voto em julho para 38% em setembro, enquanto a ex-senadora Marina Silva (que tenta fundar o partido Rede Sustentabilidade) caiu de 22% para 16%. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) oscilou de 13% para 11% e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), de 5% para 4%. Neste cenário, Dilma tem 38% dos votos, contra 31% de Marina, Aécio e Campos, mas quase um terço dos eleitores (31%) dizem não ter candidato.
Quando o candidato do PSDB é o ex-governador de São Paulo José Serra, a vantagem de Dilma sobre seus rivais é de 37% a 32%. Neste cenário, Dilma tem 37%, contra 16% de Marina, 12% de Serra e 4% de Eduardo Campos.
Segundo turno
Dilma também avançou nas pesquisas para o segundo turno. Em julho, segundo o Ibope, Dilma e Marina estavam praticamente empatadas, com 35% para a presidenta e 34% para a ex-senadora. Agora, Dilma foi a 43%, enquanto Marina caiu para 26%. Contra os tucanos Aécio Neves e José Serra, Dilma venceria no segundo turno por 45% a 21%. Contra Eduardo Campos, a vitória se daria por 46% a 14%.
O Ibope entrevistou 2002 pessoas entre 12 e 16 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Ibope: hoje Dilma seria eleita no primeiro turno

Uma pesquisa realizada pelo Ibope e pelo jornal O Estado de S.Paulo indica que, no cenário mais provável das eleições presidenciais de 2014, a presidenta Dilma Rousseff seria reeleita em primeiro turno. De acordo com o levantamento, Dilma tem hoje uma intenção de voto superior à soma das intenções de seus três adversários.
Segundo os números, Dilma passou de 30% de intenções de voto em julho para 38% em setembro, enquanto a ex-senadora Marina Silva (que tenta fundar o partido Rede Sustentabilidade) caiu de 22% para 16%. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) oscilou de 13% para 11% e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), de 5% para 4%. Neste cenário, Dilma tem 38% dos votos, contra 31% de Marina, Aécio e Campos, mas quase um terço dos eleitores (31%) dizem não ter candidato.
Quando o candidato do PSDB é o ex-governador de São Paulo José Serra, a vantagem de Dilma sobre seus rivais é de 37% a 32%. Neste cenário, Dilma tem 37%, contra 16% de Marina, 12% de Serra e 4% de Eduardo Campos.
Segundo turno
Dilma também avançou nas pesquisas para o segundo turno. Em julho, segundo o Ibope, Dilma e Marina estavam praticamente empatadas, com 35% para a presidenta e 34% para a ex-senadora. Agora, Dilma foi a 43%, enquanto Marina caiu para 26%. Contra os tucanos Aécio Neves e José Serra, Dilma venceria no segundo turno por 45% a 21%. Contra Eduardo Campos, a vitória se daria por 46% a 14%.
O Ibope entrevistou 2002 pessoas entre 12 e 16 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

domingo, 22 de setembro de 2013

A que(m) serve o Ministério da Agricultura?

Nas últimas décadas, com exceção do período em que Roberto Rodrigues foi ministro, no primeiro governo Lula, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) tem servido de afago a partidos políticos que fazem da fisiologia seu melhor viver.
Não são duradouras suas permanências no comando nem as dos escalões inferiores que levam com eles. Basta lembrar que tivemos 19 ministros em 20 anos.
Danos? Muitos. Numa atividade que depende de sistemas regulatórios ágeis e aparelhos eficazes de fiscalização, é imprescindível um alto conhecimento técnico.
É de se estranhar que ao crescente reconhecimento pela sociedade da agropecuária como vetor de desenvolvimento se dê uma moeda de troca de tão baixo valor.
Há pouco mais de um mês, mencionei nesta CartaCapital que os ministros lá empossados, em seus discursos invariavelmente prometem reformas de gestão que param na página nove. Levam João para a mesa de José e vice-versa.
Sem qualquer relação de causa e efeito, porque muito pequenos somos, fato é que logo no dia seguinte as folhas e telas cotidianas noticiaram decisão dos fiscais federais agropecuários de paralisarem suas atividades, em protesto contra a nomeação política para cargos importantes do ministério.
Exigiam também a realização de concursos públicos, pois o último ocorreu em 2007.
Junte-se a isso um desagradável corte de verbas que, no entanto, não impediu o ministro Antônio Andrade (PMDB-MG), empossado em março deste ano, contratar 92 cargos de confiança para a Pasta.
O jornal Valor Econômico, em matéria de 18 de setembro, informou que grande parte das indicações serve interesses do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), líder do partido na Câmara.
Ainda que interesses não fossem, mas apenas privilegiadíssima visão do potencial de trabalho de seus indicados, com a alegada falta de técnicos no ministério, um concurso faria o Brasil parecer mais uma República do que a Federação de Corporações que vivo apregoando.
Mas baixemos ao cotidiano em que vive a produção do celeiro mundial.
A Secretaria de Defesa Sanitária do MAPA trabalha ali ó com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que é ligada ao ministério da Saúde. Uma defende, outra vigia; algumas vezes trocam de turno.
Tanto que se for necessário aprovar um defensivo contra pragas ou doenças vegetais, o interessado precisa falar com o defensor e o vigilante.
Com o quadro de 17 técnicos que tem hoje e ritmo de 11 processos analisados por ano, que é o histórico, a Anvisa levaria 117 anos para completar o trabalho que está em suas bancadas.
Está certo, e também errado, que muita empresa pede registros de seus produtos para usá-los como ativos intangíveis e inatingíveis, pois nunca serão comercializados.
Mas daí a ficar enfiando políticos em postos técnicos vai uma distância de talvez 117 anos até que a civilização vença a barbárie.
O estado de São Paulo é responsável por quase um terço do PIB e tem alta representatividade na agropecuária nacional.
O escritório regional do MAPA nesta capital, como se costuma escrever em contratos vários, fica na Rua Treze de Maio, o bairro Bexiga, de Adoniram Barbosa e das cantinas, no mesmo edifício onde antes estava o saudoso IBC, Instituto Brasileiro do Café.
Pois bem, se os prezados leitores precisarem de alguma informação sobre processos novos ou em andamento serão atendidos apenas das 14 às 17 horas, e sem agendamento. Que Mané hora marcada, coisa nenhuma.
E isso se os dois abnegados técnicos que lá atendem não tiverem saído para alguma viagem de inspeção.
Não deu? Volta no dia seguinte. Ainda não deu? Persistência é uma virtude até você virar um chato.
Que depois não se reclame se em seus protestos os fiscais agropecuários virarem Black Blocs.

Alvo eram quenianos infiéis, diz milícia ligada à Al Qaeda

Ao menos 39 pessoas morreram e 150 ficaram feridas, entre elas cidadãos estrangeiros, em um ataque no sábado 21 reivindicado pela milícia islâmica somali 'Shebab', ligada à Al-Qaeda, em um shopping center de Nairóbi.
Por volta do meio-dia (hora local), cerca de 10 homens da milícia invadiram armados e encapuzados o shopping Westgate Mall, um dos mais luxuosos da capital queniana, cuja clientela é formada principalmente por africanos abastados, indianos e ocidentais.
Os criminosos dispararam e lançaram granadas contra clientes e funcionários do shopping.
Em mensagem à nação, o presidente queniano, Uhuru Kenyatta, informou que o ataque terrorista deixou 39 mortos e 150 feridos, e que as forças de segurança permanecem no shopping para "neutralizar" os agressores.
Segundo o Centro Nacional de Operações de emergência, os terroristas ainda mantinham lojistas e funcionários do shopping em seu poder, enquanto prossegue uma vasta operação do Exército e da polícia, na madrugada de domingo.
"As operações prosseguem", disse à AFP um oficial da segurança queniana, acrescentando que sete reféns foram libertados.
O Palácio do Eliseu informou que duas francesas morreram na ação 'terrorista' e manifestou a "total solidariedade" do presidente François Hollande com as autoridades quenianas.
"O presidente da República condena, com a maior firmeza, este covarde atentado e compartilha a dor da família dos nossos compatriotas", destaca o comunicado.
O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, revelou que dois canadenses, incluindo a diplomata Anne-Marie Desloges, foram mortos no ataque.
"O Canadá condena, da maneira mais firme possível, este gesto covarde e odioso", disse Harper, acrescentando que entre os mortos se encontra Anne-Marie Desloges, 29 anos, funcionária do serviço de imigração canadense no Quênia.
O Departamento de Estado americano informou que cidadãos dos Estados Unidos ficaram feridos no que chamou de um "ato de violência desmedido".
Washington "condenou este atentado desmedido no qual homens, mulheres e crianças inocentes foram mortos ou feridos", e destacou que "segue de perto" a evolução da situação em Nairóbi.
Em Londres, o ministro das Relações Exteriores, William Hague, disse que cidadãos britânicos estão, "sem qualquer dúvida", entre as vítimas do atentado.
Em mensagem no Twitter, a milícia 'Shebab' assumiu a autoria do ataque informando que "os mujahedines entraram ao meio-dia de hoje no Westgate (...). Eles mataram mais de 100 infiéis quenianos e a batalha prossegue".
Segundo os rebeldes, o ataque foi uma represália à intervenção das forças armadas do Quênia no sul da Somália contra o grupo islâmico, após o governo queniano "ignorar reiteradas advertências".
"Esta é a justiça punitiva pelos crimes de seus soldados" envolvidos no conflito somali. "Por terra, ar e mar, as forças quenianas invadiram nossa pátria muçulmana, matando centenas de muçulmanos e provocando a fuga de milhares".
"Em numerosas ocasiões o governo queniano foi alertado de que a presença de suas forças na Somália teria consequências dramáticas (...). A mensagem que enviamos ao governo e à população queniana é e será sempre a mesma: retirem todas as suas forças do nosso país".
O presidente Kenyatta reagiu afirmando que o Quênia "já superou ataques terroristas no passado e vencerá novamente", em mensagem em rede nacional de tevê.
Segundo Kenyatta, os agressores "querem implantar o medo e o desânimo em nosso país, mas não nos deixaremos intimidar. O terrorismo é a filosofia dos fracos".
O Exército do Quênia entrou na Somália em 2011, onde ocupa o sul do país, como parte da força africana multinacional que apoia o governo somali contra os rebeldes islâmicos.
A Casa Branca qualificou de "vil" o ataque e prometeu ajudar o Quênia em seus esforços contra o terrorismo.
"Os Estados Unidos condenam, nos termos mais enérgicos, este vil ataque terrorista contra civis inocentes hoje no Westgate Shopping Mall em Nairóbi (...). Os autores deste ato desumano devem ser levados à Justiça, e oferecemos nosso apoio total ao governo do Quênia para atingir este objetivo", disse a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Caitlin Hayden.
O secretário de Estado, John Kerry, afirmou que "o massacre terrorista de tantos inocentes é uma lembrança dolorosa de que o mal existe no nosso mundo e pode destruir vidas em um momento sem sentido".
O Conselho de Segurança da ONU "condenou, nos termos mais enérgicos", o atentando em Nairóbi, e "expressou sua solidariedade ao povo e ao governo do Quênia nestas horas difíceis".
Após a invasão, unidades de elite do exército queniano foram mobilizadas para reforçar as forças policiais no local e ajudar na retirada dos clientes e dos funcionários do shopping.
As forças de segurança avançaram loja por loja para retirar as pessoas escondidas e buscar os homens armados, mascarados e vestidos de preto, que tinham reféns em seu poder.
Muito movimentado nos fins de semana, o Westgate Mall era citado regularmente como possível alvo de grupos relacionados à Al-Qaeda, como os insurgentes 'Shebab'.
Este tipo de ataque é algo que jamais havia ocorrido na capital queniana e pode ser o atentado mais sangrento desde a ação suicida da Al-Qaeda de 1998, que teve como alvo em agosto daquele ano a embaixada americana em Nairóbi, resultando em mais de 200 mortos.
Uma jornalista da AFP-TV viu corpos em frente ao shopping e em seu interior. Feridos e ensanguentados, pais com seus filhos nos braços, assustados e nervosos, saíam em desespero do edifício de quatro andares.
O Westgate Mall é um labirinto de lojas de todo o tipo, onde é muito fácil se esconder.
Este centro comercial, aberto em 2007 e próximo à sede local das Nações Unidas, tem restaurantes, cafés, bancos, um grande supermercado e várias salas de cinema que atraem milhares de pessoas todos os dias.

O mal-estar extemporâneoO atual debate econômico, no Brasil, tem apresentado diversas críticas aos governos Lula e Dilma. Até recentemente, estas se centravam nas dificuldades da conjuntura econômica. Com o advento dos protestos desde junho, André Lara Rezende lançou a tese de que estes representam a manifestação de um “mal-estar contemporâneo” em relação ao modelo nacional-desenvolvimentista supostamente adotado a partir de 2003. Apesar de incorreta, ela abre a possibilidade de discussão da trajetória e os desafios que a economia enfrenta no curto e médio prazos. Comecemos com as opções do governo Lula. Sem abrir mão do tripé macroeconômico instituído nos anos anteriores, marcado pela meta de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal, uma visão de longo prazo norteou a gestão econômica do País, promovendo o desenvolvimento por meio da inclusão e redução das desigualdades. Primeiramente apostou-se num processo acelerado de valorização do salário-mínimo real médio, que cresceu mais de 70% entre 2003 e 2012 - quase quatro vezes mais que na década anterior. Este aumento foi acompanhado pela a elevação das transferências de renda, com destaque para o Bolsa Família, cujo número de famílias beneficiadas saltou de 3,2 milhões para mais de 13,7 milhões, com mais de 20 bilhões de reais desembolsados em 2012 - quase quatro vezes os valores em 2002, em termos reais. O governo Dilma aprofundou e aperfeiçoou os mecanismos de transferência com o “Brasil sem Miséria” e o “Brasil Carinhoso”. Aumentou a coordenação de diversos programas sociais dos vários ministérios e instituiu a “busca ativa”, que se propõe a localizar cerca de 16 milhões de brasileiros em situação de extrema pobreza para oferecer-lhes apoio social e acesso à cidadania, por meio da oferta de serviços públicos, programas de transferência e oportunidade de inclusão produtiva. Os resultados sociais destas politicas estão ai: foi possível não apenas criar mais de 14 milhões de empregos formais e reduzir o desemprego a 6%, como promover a queda acelerada da desigualdade social e regional. Desde 2003, cerca de 50 milhões de pessoas ingressam na classe média, um avanço expressivo na formação de um mercado interno de consumo de massas. Evidentemente, um processo de inclusão socioeconômico desta envergadura gera enormes desafios em uma economia em que a infraestrutura e a estrutura produtiva foram moldadas a um país profundamente desigual. Há inúmeras manifestações deste fenômeno, mas podemos citar duas: com o aumento do emprego, um maior número de pessoas passou a se locomover pelas cidades brasileiras. Ao mesmo tempo, com o aumento da renda e, a partir daí, da oferta de crédito, a venda de automóveis disparou. Escancarou-se o já conhecido déficit do transporte público de massas nas grandes cidades brasileiras. Da mesma forma, o aumento de renda e a forte interiorização do desenvolvimento brasileiro contribuíram para o aumento da demanda de voos. Em pouco tempo, aeroportos, antes com baixa utilização passaram a se ver superlotados. O número de passageiros quase triplicou entre 2002 e 2012, passando de 36 milhões para 100 milhões por ano. Os desafios diante da consolidação do processo de inclusão socioeconômica são significativos, dado o grau de abertura comercial e financeira brasileira, a intensidade da competição internacional e o período relativamente curto de redução da pobreza e desigualdade. Temos de lidar, com senso de urgência, com o tema da competitividade e produtividade, que se associam a uma multiplicidade de frentes: a infraestrutura e logística, a matriz energética, a qualidade do capital humano, a capacidade de inovação e, evidentemente, o ambiente de negócios. Temos de distribuir, incluir, investir, ampliar a competitividade e melhorar a qualidade dos serviços públicos quase simultaneamente. Dentre estes desafios, talvez o maior seja o promover a expansão do investimento privado. Depois de décadas de incerteza e juros elevados, diante da continuidade da crise externa, nosso empresariado exibe uma extraordinária aversão ao risco paralisando investimentos rapidamente quando há sinais negativos, mas aguardando a continuidade de sinais positivos para retomar seus projetos. Para fazer renascer o “animal spirit” empresarial, o governo tem duas grandes tarefas que devem ser encaradas simultaneamente: garantir a expansão não inflacionária da demanda agregada, manter a trajetória de redução dos juros e sustentar o câmbio competitivo; e, principalmente, promover parcerias com investidores privados em grandes projetos. No que tange à primeira tarefa (de administração macroeconômica), sabe-se que o desafio é grande – mas o debate econômico atual exagera na avaliação sobre as dificuldades. Apesar do enorme choque gerado pelos desdobramentos da crise de 2008, conseguimos ter razoável desempenho macroeconômico, em parte devido às políticas de estímulo à demanda agregada e de garantia da oferta de crédito. Diante da forte aceleração do crescimento e da aparente melhoria do cenário internacional, a partir de meados de 2010, tais medidas passaram a ser progressivamente desativadas. Infelizmente, o efeito da retirada de estímulos se somou à retomada da crise internacional iniciada com as medidas de ajustamento dos países europeus em resposta à sua crise de dívida soberana. A economia brasileira enfrenta, então, novo período de desaceleração, resultando em crescimento mais baixo. Mesmo diante desse quadro de instabilidade internacional prolongada, nossos graus de liberdade nos valeram para manter políticas que sustentaram taxas de desemprego em queda e a criação líquida de empregos formais O superávit comercial diminuiu, até transformar-se em déficit, nos primeiros meses de 2013, o que preocupa. Mas há margem de manobra para lidar com essa situação, pois temos 370 bilhões de dólares de reserva. A inflação, medida pelo IPCA, mantem-se próxima ao teto do sistema de metas (6,5%) e está, agora, em queda. Reservas e inflação controlada têm permitido a gestão da desvalorização cambial, fundamental para a melhoria da balança comercial. No que toca à segunda tarefa, as iniciativas parecem estar corretas: no PAC, no Pré-sal e no MCMV, as novas oportunidades são organizadas pelo governo e tem mobilizado muitas empresas. Uma iniciativa recente, o Programa de Infraestrutura Logística, calculado em 80 bilhões de reais para os próximos cinco anos, e mais de 50 bilhões nos anos posteriores, bem como o recém-anunciado Programa Nacional de Mobilidade, estimado em 50 bilhões de reais, representarão um novo salto nos investimentos em infraestrutura nos próximos anos. Para todos esses programas, contudo, haverá grande demanda de financiamento, ainda não disponível, na escala e nas condições adequadas, no mercado brasileiro e internacional. Nesse contexto, não há dúvidas, os bancos públicos – o BNDES especialmente - continuarão a ser uma peça fundamental desta estratégia. Mas aqui também concentram-se criticas. Apoiam-se no argumento de que haverá descontrole da dívida pública, seja por efeito dos novos aportes ou das despesas de equalização. Essa abordagem, contudo, não pode dar margem a pânico. Primeiro, não se sustenta nos dados. A dívida bruta elevou-se desde o início da crise, mas permanece estabilizada em torno dos 60% do PIB, um resultado fiscal extraordinário quando comparado internacionalmente. Ademais, na medida em que os grandes projetos entrarem em execução, os efeitos sobre a renda fortalecerão as finanças públicas. De qualquer modo, ainda que a preocupação com as finanças públicas sejam importantes, não podem provocar desespero e muito menos servir para amparar visões inocentes de que poderemos estimular o aumento dos investimentos simplesmente reduzindo o papel e atuação do BNDES. Em suma, estamos, sim, em um momento de escolhas sobre o caminho a seguir, frente às dificuldades de manter equilibrados o desenvolvimento social e expansão das capacidades – infraestrutura, logística, serviços públicos e capital humano. Para buscar alternativas, o embate de ideias é importante; mas preocupa o debate econômico brasileiro atual. Primeiramente, assusta o retorno das tesse da “beira do abismo” e da “inevitabilidade da estagnação”, e a demanda por correções abruptas de curso nas políticas macroeconômicas, sem que se indique como tais mudanças afetam a trajetória de longo prazo do Brasil. Não parece correto dizer que houve abandono do tripé macroeconômico. Por fim, a rigidez que querem impor à administração do tripé contrasta fortemente com a flexibilidade e liberdade em que, no mundo inteiro, as equipes econômicas estão combatendo os efeitos da maior crise econômica mundial desde 1929. Em segundo lugar, não procede a insistência de tratar a trajetória recente da economia brasileira como um boom do consumo, calcado em políticas creditícias exageradas e expansão insustentável do rendimento do trabalho; ou um retorno do nacional-desenvolvimentismo dos regimes militares, que se propunha uma consolidação do “Brasil potência” através de políticas de transformação e do setor industrial como centro da ação governamental. A mudança em 2003 foi, a nosso ver, mais profunda e complexa, no sentido de redefinir o papel e o lugar das políticas de inclusão socioeconômica, que deixam de ser vistas como “paliativos” e passam a ser o eixo das demais politicas. Entendemos que o que tem ocorrido é, de fato, um processo de desenvolvimento inclusivo, com amplas repercussões sobre a estrutura da economia, mas também, e principalmente, com significativos avanços nos planos social, econômico e da cidadania. Por fim, não temos problema com alguns dos diagnósticos sobre os temas estruturais - sobre a necessidade de ampliar os investimentos, melhorar a infraestrutura e logística, solidificar a competitividade, melhorar os serviços públicos. Mas somos céticos sobre as análises que apontam para novos “choques" – codinome muitas vezes utilizado para justificar reformas que reduziram ou atrasaram o progresso de direitos sociais e promoveram o desmonte de instituições publicas e maior desregulamentação. A tese de que esse seria o caminho já se demonstrou equivocada diversas vezes e em diversos países. No Brasil, ela nos levou a retardar, em distintos momentos, o processo de inclusão socioeconômica, além de jamais ter contribuído para o crescimento do investimento, do emprego e da renda. São ideias que se vestem de modernidade, mas que em realidade quase sempre promovem o atraso e o retrocesso.

O atual debate econômico, no Brasil, tem apresentado diversas críticas aos governos Lula e Dilma. Até recentemente, estas se centravam nas dificuldades da conjuntura econômica. Com o advento dos protestos desde junho, André Lara Rezende lançou a tese de que estes representam a manifestação de um “mal-estar contemporâneo” em relação ao modelo nacional-desenvolvimentista supostamente adotado a partir de 2003. Apesar de incorreta, ela abre a possibilidade de discussão da trajetória e os desafios que a economia enfrenta no curto e médio prazos.
Comecemos com as opções do governo Lula. Sem abrir mão do tripé macroeconômico instituído nos anos anteriores, marcado pela meta de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal, uma visão de longo prazo norteou a gestão econômica do País, promovendo o desenvolvimento por meio da inclusão e redução das desigualdades. Primeiramente apostou-se num processo acelerado de valorização do salário-mínimo real médio, que cresceu mais de 70% entre 2003 e 2012 - quase quatro vezes mais que na década anterior. Este aumento foi acompanhado pela a elevação das transferências de renda, com destaque para o Bolsa Família, cujo número de famílias beneficiadas saltou de 3,2 milhões para mais de 13,7 milhões, com mais de 20 bilhões de reais desembolsados em 2012 - quase quatro vezes os valores em 2002, em termos reais.
O governo Dilma aprofundou e aperfeiçoou os mecanismos de transferência com o “Brasil sem Miséria” e o “Brasil Carinhoso”. Aumentou a coordenação de diversos programas sociais dos vários ministérios e  instituiu a “busca ativa”, que se propõe a localizar cerca de 16 milhões de brasileiros em situação de extrema pobreza para oferecer-lhes apoio social e acesso à cidadania, por meio da oferta de serviços públicos, programas de transferência e oportunidade de inclusão produtiva.
Os resultados sociais destas politicas estão ai: foi possível não apenas criar mais de 14 milhões de empregos formais e reduzir o desemprego a 6%, como  promover a queda acelerada da desigualdade social e regional. Desde 2003, cerca de 50 milhões de pessoas ingressam na classe média, um avanço expressivo na formação de um mercado interno de consumo de massas.
Evidentemente,  um processo de inclusão socioeconômico desta envergadura gera enormes desafios em uma economia em que a infraestrutura e a estrutura produtiva foram moldadas a um país profundamente desigual. Há inúmeras manifestações deste fenômeno, mas podemos citar duas: com o aumento do emprego, um maior número de pessoas passou a se locomover pelas cidades brasileiras. Ao mesmo tempo, com o aumento da renda e, a partir daí, da oferta de crédito, a venda de automóveis disparou. Escancarou-se o já conhecido déficit do transporte público de massas nas grandes cidades brasileiras.  Da mesma forma, o aumento de renda e a forte interiorização do desenvolvimento brasileiro contribuíram para o aumento da demanda de voos. Em pouco tempo, aeroportos, antes com baixa utilização passaram a se ver superlotados. O número de passageiros quase triplicou entre 2002 e 2012, passando de 36 milhões para 100 milhões por ano.
Os desafios diante da consolidação do processo de inclusão socioeconômica são significativos, dado o grau de abertura comercial e financeira brasileira, a intensidade da competição internacional e o período relativamente curto de redução da pobreza e desigualdade. Temos de lidar, com senso de urgência, com o tema da competitividade e produtividade, que se associam a uma multiplicidade de frentes: a infraestrutura e logística, a matriz energética, a qualidade do capital humano, a capacidade de inovação e, evidentemente, o ambiente de negócios. Temos de distribuir, incluir, investir, ampliar a competitividade e melhorar a qualidade dos serviços públicos quase simultaneamente.
Dentre estes desafios, talvez o maior seja o promover a expansão do investimento privado. Depois de décadas de incerteza e juros elevados, diante da continuidade da crise externa, nosso empresariado exibe uma extraordinária aversão ao risco paralisando investimentos rapidamente quando há sinais negativos, mas aguardando a continuidade de sinais positivos para retomar seus projetos. Para fazer renascer o “animal spirit” empresarial, o governo tem duas grandes tarefas que devem ser encaradas simultaneamente: garantir a expansão não inflacionária da demanda agregada, manter a trajetória de redução dos juros e sustentar o câmbio competitivo; e, principalmente, promover parcerias com investidores privados em grandes projetos.
No que tange à primeira tarefa (de administração macroeconômica), sabe-se que o desafio é grande – mas o debate econômico atual exagera na avaliação sobre as dificuldades. Apesar do enorme choque gerado pelos desdobramentos da crise de 2008, conseguimos ter razoável desempenho macroeconômico, em parte devido às políticas de estímulo à demanda agregada e de garantia da oferta de crédito. Diante da forte aceleração do crescimento e da aparente melhoria do cenário internacional, a partir de meados de 2010, tais medidas passaram a ser  progressivamente desativadas. Infelizmente, o efeito da retirada de estímulos se somou à retomada da crise internacional iniciada com  as medidas de ajustamento dos países europeus em resposta à sua crise de dívida soberana. A economia brasileira enfrenta, então, novo período de desaceleração, resultando em crescimento mais baixo.
Mesmo diante desse quadro de instabilidade internacional prolongada, nossos graus de liberdade nos valeram para manter políticas que sustentaram  taxas de desemprego em queda e a criação líquida de empregos formais O superávit comercial diminuiu, até transformar-se em déficit, nos primeiros meses de 2013, o que preocupa. Mas há margem de manobra para lidar com essa situação, pois temos 370 bilhões de dólares de reserva. A inflação, medida pelo IPCA, mantem-se próxima ao teto do sistema de metas (6,5%) e está, agora, em queda. Reservas e inflação controlada têm permitido a gestão da desvalorização cambial, fundamental para a melhoria da balança comercial.
No que toca à segunda tarefa, as iniciativas parecem estar corretas: no PAC, no Pré-sal e no MCMV, as novas oportunidades são organizadas pelo governo e tem mobilizado muitas empresas. Uma iniciativa recente, o Programa de Infraestrutura Logística, calculado em 80 bilhões de reais para os próximos cinco anos, e mais de 50 bilhões nos anos posteriores, bem como o recém-anunciado Programa Nacional de Mobilidade, estimado em 50 bilhões de reais, representarão um novo salto nos investimentos em infraestrutura nos próximos anos.
Para todos esses programas, contudo, haverá grande demanda de financiamento, ainda não disponível, na escala e nas condições adequadas, no mercado brasileiro e internacional. Nesse contexto, não há dúvidas, os bancos públicos – o BNDES especialmente - continuarão  a ser uma peça fundamental desta estratégia. Mas aqui também concentram-se criticas.  Apoiam-se no argumento de que  haverá descontrole da dívida pública, seja por efeito dos novos aportes ou das despesas de equalização.
Essa abordagem, contudo, não pode dar margem a pânico. Primeiro, não se sustenta nos dados. A dívida bruta elevou-se desde o início da crise, mas permanece estabilizada em torno dos 60% do PIB, um resultado fiscal extraordinário quando comparado internacionalmente. Ademais, na medida em que os grandes projetos entrarem em execução, os efeitos sobre a renda  fortalecerão as finanças públicas. De qualquer modo, ainda que a preocupação com as finanças públicas sejam importantes, não podem provocar desespero e muito menos servir  para amparar visões inocentes de que poderemos estimular o aumento dos investimentos simplesmente reduzindo o papel e atuação do BNDES.
Em suma, estamos, sim, em um momento de escolhas sobre o caminho a seguir, frente às dificuldades de manter equilibrados o desenvolvimento social e expansão das capacidades – infraestrutura, logística, serviços públicos e capital humano. Para buscar alternativas, o embate de ideias é importante; mas preocupa o debate econômico brasileiro atual.
Primeiramente, assusta o retorno das tesse da “beira do abismo” e da “inevitabilidade da estagnação”, e a demanda por correções abruptas de curso nas políticas macroeconômicas, sem que se indique como tais mudanças afetam a trajetória de longo prazo do Brasil. Não parece correto dizer que houve abandono do tripé macroeconômico. Por fim, a rigidez que querem impor à administração do tripé contrasta fortemente com a flexibilidade e liberdade em que, no mundo inteiro, as equipes econômicas estão combatendo os efeitos da maior crise econômica mundial desde 1929.
Em segundo lugar, não procede a insistência de tratar a trajetória recente da economia brasileira como um boom do consumo, calcado em políticas creditícias exageradas e expansão insustentável do rendimento do trabalho; ou um retorno do nacional-desenvolvimentismo dos regimes militares, que se propunha uma consolidação do “Brasil potência” através de políticas de transformação e do setor industrial como centro da ação governamental. A mudança em 2003 foi, a nosso ver, mais profunda e complexa, no sentido de redefinir o papel e o lugar das políticas de inclusão socioeconômica, que deixam de ser vistas como “paliativos” e passam a ser o eixo das demais politicas. Entendemos que o que tem ocorrido é, de fato, um processo de desenvolvimento inclusivo, com amplas repercussões sobre a estrutura da economia, mas também, e principalmente, com significativos avanços nos planos social, econômico e da cidadania.
Por fim, não temos problema com alguns dos diagnósticos sobre os temas estruturais - sobre a necessidade de ampliar os investimentos, melhorar a infraestrutura e logística, solidificar a competitividade, melhorar os serviços públicos. Mas somos céticos sobre as análises que apontam para novos “choques" – codinome muitas vezes utilizado para justificar reformas que reduziram ou atrasaram o progresso de direitos sociais e promoveram o desmonte de instituições publicas e maior desregulamentação. A tese de que esse seria o caminho já se demonstrou equivocada diversas vezes e em diversos países. No Brasil, ela nos levou a retardar, em distintos momentos, o processo de inclusão socioeconômica, além de jamais ter contribuído para o crescimento do investimento, do emprego e da renda. São ideias que se vestem de modernidade, mas que em realidade quase sempre promovem o atraso e o retrocesso.